sábado, 18 de fevereiro de 2012

O assassinato de mais um jovem negro no Brasil

Por Mabel Dias

O assassinato do jovem Gualter Rocha, no Rio de Janeiro, no dia 1º de janeiro de 2012, me fez refletir sobre a violência urbana que temos assistido cotidianamente e a insuflação, direta ou indireta por parte de alguns jornalistas e outros segmentos da sociedade a reagir sob a máxima “olho por olho, dente por dente”

Gualter que adorava dançar, e foi o idealizador do “passinho”, no funk carioca, gritava por socorro por onde passava. Dizia que estava sendo perseguido. As câmeras de vigilância de uma empresa gravaram o jovem correndo desesperadamente, mas não mostraram quem estaria atrás dele. Pedindo ajuda em várias casas, ele conseguiu entrar em uma, onde morava um casal de idosos e sua filha. Atordoado, Gualter continuava pedindo abrigo, mas o casal, assustado, entrou na casa e nada fez.

A polícia prendeu dois suspeitos de terem matado o rei do passinho. O supervisor de uma empresa de segurança e um dos vizinhos do casal de idosos. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal, Gualter foi morto por asfixia mecânica, ou seja, estrangulado. Um dos acusados disse que o que o matou foram as drogas. Mas o exame feito no adolescente mostrou que não havia nenhuma substância em seu sangue. Antes de ser asfixiado, Gualter foi brutalmente espancado e seu corpo foi arrastado até a rua.

O casal, que não conhecia o rapaz, ficou obviamente assustado e se recolheu. O medo deles com certeza deve estar associado a tantas notícias de caso de violência que vem tomando conta do país. Não o ajudaram. Gualter estava sozinho e não estava armado. Pedia proteção. Mas a vontade de fazer justiça com as próprias mãos fez com que o segurança e o vizinho do casal matassem Gualter. Um jovem que tinha tudo pela frente e que foi morto por ter sido confundido com “um meliante, elemento”, termos usados constantemente pela polícia e pela própria imprensa para se referir a assaltantes. Não perguntaram nada, apenas bateram e mataram.

E será que é desta forma que o problema da violência no Brasil será solucionado? Reforçando a prática de atos violentos como resposta a outros atos violentos? É desta forma que a imprensa pensa e acredita estar ajudando a mudar o quadro ao qual toda a sociedade brasileira está passando? É incentivando a população a se armar que alguns jornalistas pensam que vão solucionar os índices de assassinatos no país?

Gualter, assim como muitos adolescentes brasileiros, poderia estar vivo, brilhando nos palcos dos bailes e shows de funk, como também em alguns programas de TV, como o de Regina Casé, onde era presença marcante. Gualter – é horrível dizer isto, mas é verdade, faz parte das estatísticas dos diagnósticos realizados pelos mapas da violência que revela o alto índice de assassinato de jovens pobres e negros no Brasil. E fica por isto mesmo. Isto a imprensa não fala tão pouco reflete o porquê que isto acontece. A fala do segurança, suposto assassino de Gualter, revela o pensamento bastante comum na sociedade: o envolvimento com drogas que leva a morte destes jovens. É fácil dizer: morreu porque estava envolvido com o tráfico de drogas. Não era o caso de Gualter e de tantos outros jovens brasileiros. E fica por isto mesmo?


FONTE DA IMAGEM: PARADOXO JOVEM

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sabedoria


Eu quero o conhecimento do meu inconsciente. O inconsciente nos alerta na tentativa de conscientizar a enxergar ou lembrar aquilo que não queremos, enfrentar, enxergar. No momento que passas a olhar para si, o nosso inconsciente age em alta definição, com tatos, lembranças, resquícios arquivados de outrora, sincronizado com o agora. No primeiro contato é tudo um tanto confuso, repentino; você passa a ver tudo mais afundo, profundo... Essa sensação gostamos de denominar como: o sexto sentido. Pois todos os sentidos amplificam-se, pelo simples fato de parares de se rejeitar, e se entregar a si. Sempre há algo além, aonde antes só via-se uma cova rasa, afirmações vagas e com propósitos infindáveis, para algo tão mais grandioso e significativo; que fosse num olhar, dialogar, plantar, conceber, que fosse como base para um próspero edificar. A conseqüência é essa: você consegue concluir algo com profundidade, da qual antes você nem suspeitava que tinha. A evolução dessa integração concebida de você consigo mesmo, personificasse nas suas características. E solidificando se em atribuições ou hobys. Como por exemplo: pintar, desenhar, esculpir, lecionar, enfim desenvolver as suas integrações psicossociais, pessoais e interpessoais para uma convicção sólida e ciente das suas aptidões. Por isso que é sempre bom lembrar que as nossas indagações nada mais são do que a falta de conhecimento de si mesmo e conseqüentemente ao que reflete a nós mesmos. Esse olhar mais afundo para si abre as portas para o mundo que nos conectamos, interagimos, integramos.Pode até parecer clichê este assunto, mas o problema é que muitos ainda insistem em permanecer no escuro, no breu, no preto, na ausência de cor de vida pensante na ausência de si; ao invés de ver a luz, branco, que é a junção de todas as cores. Só quem permite-se olhar para si saberá o quão é essencial saber definir bem o estado psíquico em que se encontra; para que assim possas dar caminhos para a solução aconchegar-se e deleitasse em suas graças. E sabendo disso não mais passar por situações difíceis, sobrevivendo, e sim vivendo com satisfação e plenitude nos altos e baixos desta atmosfera alucinante que quer lecionar para nós mesmos colocando-nos como nossos próprios professores para lecionarmos como: ator, ator principal, coadjuvante, roteirista, diretor, telespectador. Tudo isso em apenas uma face: a da realidade equalizada em apenas uma raça: a humana e quanto as outras espécies, elas atuam reagindo de acordo com que refletimos do nosso intimo. Fazendo uma analogia: um cão e um lobisomem.Vivenciando essa experiência voluntariamente perceberás que os relatos de quem sobreviveu a tragédias e ficou próximo a morte ao dizer que viram uma luz, que essa experiência tinha um propósito muito mais alem do que simplesmente o fim; mas sim, a de ter a certeza que o branco é a junção de todas as cores e que a sua função para com esta descoberta pessoal, é a de separá-las e defini-lás em cada estágio e situação da sua vida. Para que no prelúdio junte-as novamente da onde tudo irá recomeçar. O luto é temporário mas o branco, a luz, está sempre presente, do inicio ao fim. O incomum do inicio e o fim é que sempre há um novo recomeço!

Flávio Roberto Sobral Delgado

Esquizofrênicos

Estética, estético estático: arco definido indefinido. Corpo, a pessoa: sua personalidade sem personalidade,oco; atitudes brandas camufladas pela esperteza de uma mente conturbada, desconfiada, compatível com quem realmente és. Isso é fato consumado. Argumento assim para que não sinta-se julgada arbitrariamente, pois é só aparente aquela suposta consciência ao mal que provocas a alguém quanto a algo que te assola. Por tua astúcia e desordem mental, conflitos surgirão por sua habilidade de não transparecer aquilo que o acomete ou por ser difícil de distinguir para segundos, conseqüentemente atrais-te multidões a agrupar-se para beira do abismo. Agora cheios de desconfiança e com poucos amigos e familiares que os repelirão de suas vidinhas perfeitas, eles vagam rumo ao suicídio coletivo, agora sem suas reabilitações temporárias, porém produtivas, e de suas identidades. Indigentes, estes agora são. Famílias alienadas, desinteressadas não os procuram e os deixam a própria sorte na amargura da estrada da morte psicossocial. Lembranças só as negativas, as reveladas não fazem mais parte de uma mente esquizofrênica.

Flávio Roberto Sobral Delgado

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Prejulgados

Se eu sou gay eu dou o direito para que me discriminem?
Se tu és lésbica ou trans, eu tenho direito de discriminá-la em teu prazer e identidade?
Se eles sofrem de transtornos mentais, porque fechar os olhos com discriminação?
Se tu é negro ou albino, eu tenho o direito de te discriminar?
Se ele é gordo ou magro dá o direito para que outros os discriminem?
Se nós somos CDFS ou não, damos direito para que segundos, terceiros nos discriminem?
Se vós não preenches as minhas expectativas eu tenho o direito de te discriminar?
Se eles tem AIDS, eles lhe dão o direito para que você os discrimine?
Se ela nasceu mulher, quem disse que deve ser violentada?
Se eu sou deficiente físico ou visual, eu não tenho o direito a acessibilidade?
Se ele tem opinião própria, você tem o direito de discriminá-lo?
Se vós não cuidais de si, eu tenho o direito de ti discriminar?
Se a sua resposta for não para todas as perguntas, então me responda: porque todos os dias você faz exatamente o que você supostamente diz não fazer? Pois digo-lhe que é exatamente por pessoas assim como você que as coisas ficam estagnadas, paradas, porque assim como você muitos estão no poder! E se eu discriminar eu dou o direito de ser discriminado, mas se eu não discriminar e for discriminado eu tenho direito e o dever de denunciar.

Flávio Roberto Sobral Delgado


Fonte da imagem:critiqueacritica.blogspot.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

O casarão e os ratos

João tem uma casa que é habitada por ratos
A casa que era de João agora é dos ratos
E o queijo que era dos ratos ficou para João, pois dava queijo para os roedores, que só se multiplicavam por meses
Em conseqüência de uma solidão desenfreada, João perdeu o controle da situação
Agora com o casarão completamente dominado por ratos, João começa a retornar a terra e se perceber
agora que está sem dinheiro e emprego não sabe o que fazer
todo dinheiro que tinha investiu na restauração do casarão
bendita mansão!
O que antes era visto como uma benevolência em João e até pelo próprio João, virou tormento e arrependimento
João culpa-se pela praga de ratos que se estabeleceu em sua querida e aconchegante mansão
- Matá-los ou não matá-los, eis a questão?
- Matando-os, primeiramente, matarei a mim, pois trairei a verdadeira interação de dias intermináveis de quando estava preso em mim, que eu mesmo estabeleci
-Eu os atraí para este lugar e propiciei favoravelmente a esta insana e incomum convivência, dei migalhas para ter companhia e aos poucos eles conquistaram o meu lar.
-Ao invés de expulsá-los, farei o mesmo que eles, tonarei o meu terreno psíquico mais propício
Para um recomeço com fortes alicerces sem roer a minha própria estrutura
Fazer acontecer, permanecer e me firmar por menor que eu seja, por mais julgado que tenha sido ou que eu venha a ser
Não me penitenciarei, não mais! Agora, eu só aprenderei.

Os exemplos podem vir de onde menos se espera.


Flávio Roberto Sobral Delgado

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vulva la Vida - Vida lá vou eu!

Por Mabel Dias

Falta menos de uma semana para começar a segunda edição do Festival de Contra Cultura Feminista, Vulva La Vida, que vai revolucionar a capital baiana, Salvador.

De 24 a 29 de janeiro, mulheres de diversas partes do planeta estarão juntas participando de shows, debates, rodas de diálogo, oficinas e tantas outras atividades. O Vulva La Vida é um festival totalmente autônomo, independente, faça você mesma, como foi dito desde a convocatória que deu início a ele em 2011, e este tem sido o seu grande diferencial. Desta forma, as organizadoras do Vulva mostram que não é preciso ficar esperando por projetos de governo, empresas ou de Ongs para poder produzir algo, seja lá o que for. E o Vulva La Vida, sem maiores pretensões, está conseguindo aos poucos seus objetivos: reunir mulheres, garotas, meninas para poder discutir sobre feminismo, política e contra cultura, mostrando que é possível produzirmos algo quando queremos e de forma autogestionada.

Da primeira edição do festival, surgiram muitas ideias, shows e até um documentário, que recebeu o título de ‘Vulva La Vida – Vida lá Vou eu’ (título que dá nome a este texto), muito bem produzido, com uma linda capa, desenhada pela anarcopunk Marina Chen, e com belos depoimentos das mulheres que fazem parte do Coletivo Vulva La Vida – formado a partir do primeiro festival, e tem servido de ótima divulgação para que este ano o número de participantes cresça avassaladoramente. Não é à toa que a maioria das oficinas, entre elas, ‘O Cabelo é feminista’, ‘A verdade crua do corpo nu’, e ‘Oficina de escrita feminista’ esgotaram suas inscrições em poucos dias depois de anunciada a programação.

O Vulva La Vida é uma ótima surpresa para aquelas mulheres que estavam em busca de algo que envolvesse temas como estes que estão sendo discutidos no festival, e principalmente, pudessem ter a liberdade de se expressar como quisessem. Autonomia é essencial! Sem falar nos shows e performances que acontecerão durante o festival, feito por mulheres, onde podemos ficar a vontade, entre nós. E não é apenas porque mulheres estão fazendo, mas sim porque existe na essência do Vulva La Vida a horizontalidade, a solidariedade, o feminismo, e as quebras das relações de consumo e da estética. Outros importantes diferenciais.

Participei da primeira edição do festival, que foi realizada em janeiro do ano passado, e agora me preparo para o segundo. Desta vez, vou realizar uma roda de diálogo sobre as mulheres anarquistas e as feministas autônomas. Além disto, vou poder (re) encontrar e conhecer amigas feministas de longa data; algumas que só me comunico via internet. Tenho certeza que este Vulva La Vida será mágica!

De fato, havia uma carência de ações assim no Brasil, e em especial no nordeste. Me lembro que quando foi lançada a convocatória para a realização da primeira edição do Vulva La Vida havia o desejo (e acredito que ainda há) de que esta proposta se disseminasse por outras partes do país e do mundo. Porque não?! Se o Vulva La Vida já chegou a outros países, nada mais esperado que esta idéia se realize por todos os cantos do globo.

É como diz o Coletivo Vulva La Vida: “mude o mundo, comece por você!” E a partir deste festival, nós mulheres vamos começar a mudar o mundo. E a nós mesmas!
Para saber mais sobre o Festival Feminista Vulva La Vida, acesse o blog: http://festivalvulvalavida.wordpress.com/programacao-2012/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Circunstâncias

Eu quero tragar o tragável instante momento, sem arrependimento, lamento
Mas se eu lamentar por um arrependimento,
Que não seja pelo ato ou por proferir e em conseqüência ferir intencionalmente.
Longe de mim desejar o mal
Ou por algo que eu deveria fazer e não fiz
Mas se assim for, que seja por uma apimentada a mais de um adjetivo ou ato inconcluso inconscientemente que eu não me atentei no momento
Se eu inconscientemente expressar o inexpressível que seja registrado de alguma forma para que eu possa expressar por mais vezes.
Agora, seu eu indagar o injusto, o indagável, quero ter sempre os pés no chão
Com visão de gavião, a memória de elefante e língua de V de Vingança
Transparência na minha aparência, intríseca, expandido-se de dentro para fora
E equalizando-se em atitudes com reconhecimento autônomo para que assim as incrédulas mentes não repudiem o fato de ainda existir boas pessoas nesta vida, tapando a própria visão por desilusões passadas. Para que não continuem a cavar suas próprias covas.



Flávio Roberto Sobral Delgado