Por Mabel Dias
O assassinato do jovem Gualter Rocha, no Rio de Janeiro, no dia 1º de janeiro de 2012, me fez refletir sobre a violência urbana que temos assistido cotidianamente e a insuflação, direta ou indireta por parte de alguns jornalistas e outros segmentos da sociedade a reagir sob a máxima “olho por olho, dente por dente”
Gualter que adorava dançar, e foi o idealizador do “passinho”, no funk carioca, gritava por socorro por onde passava. Dizia que estava sendo perseguido. As câmeras de vigilância de uma empresa gravaram o jovem correndo desesperadamente, mas não mostraram quem estaria atrás dele. Pedindo ajuda em várias casas, ele conseguiu entrar em uma, onde morava um casal de idosos e sua filha. Atordoado, Gualter continuava pedindo abrigo, mas o casal, assustado, entrou na casa e nada fez.
A polícia prendeu dois suspeitos de terem matado o rei do passinho. O supervisor de uma empresa de segurança e um dos vizinhos do casal de idosos. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal, Gualter foi morto por asfixia mecânica, ou seja, estrangulado. Um dos acusados disse que o que o matou foram as drogas. Mas o exame feito no adolescente mostrou que não havia nenhuma substância em seu sangue. Antes de ser asfixiado, Gualter foi brutalmente espancado e seu corpo foi arrastado até a rua.
O casal, que não conhecia o rapaz, ficou obviamente assustado e se recolheu. O medo deles com certeza deve estar associado a tantas notícias de caso de violência que vem tomando conta do país. Não o ajudaram. Gualter estava sozinho e não estava armado. Pedia proteção. Mas a vontade de fazer justiça com as próprias mãos fez com que o segurança e o vizinho do casal matassem Gualter. Um jovem que tinha tudo pela frente e que foi morto por ter sido confundido com “um meliante, elemento”, termos usados constantemente pela polícia e pela própria imprensa para se referir a assaltantes. Não perguntaram nada, apenas bateram e mataram.
E será que é desta forma que o problema da violência no Brasil será solucionado? Reforçando a prática de atos violentos como resposta a outros atos violentos? É desta forma que a imprensa pensa e acredita estar ajudando a mudar o quadro ao qual toda a sociedade brasileira está passando? É incentivando a população a se armar que alguns jornalistas pensam que vão solucionar os índices de assassinatos no país?
Gualter, assim como muitos adolescentes brasileiros, poderia estar vivo, brilhando nos palcos dos bailes e shows de funk, como também em alguns programas de TV, como o de Regina Casé, onde era presença marcante. Gualter – é horrível dizer isto, mas é verdade, faz parte das estatísticas dos diagnósticos realizados pelos mapas da violência que revela o alto índice de assassinato de jovens pobres e negros no Brasil. E fica por isto mesmo. Isto a imprensa não fala tão pouco reflete o porquê que isto acontece. A fala do segurança, suposto assassino de Gualter, revela o pensamento bastante comum na sociedade: o envolvimento com drogas que leva a morte destes jovens. É fácil dizer: morreu porque estava envolvido com o tráfico de drogas. Não era o caso de Gualter e de tantos outros jovens brasileiros. E fica por isto mesmo?
FONTE DA IMAGEM: PARADOXO JOVEM
Eu quero o conhecimento do meu inconsciente. O inconsciente nos alerta na tentativa de conscientizar a enxergar ou lembrar aquilo que não queremos, enfrentar, enxergar. No momento que passas a olhar para si, o nosso inconsciente age em alta definição, com tatos, lembranças, resquícios arquivados de outrora, sincronizado com o agora. No primeiro contato é tudo um tanto confuso, repentino; você passa a ver tudo mais afundo, profundo... Essa sensação gostamos de denominar como: o sexto sentido. Pois todos os sentidos amplificam-se, pelo simples fato de parares de se rejeitar, e se entregar a si. Sempre há algo além, aonde antes só via-se uma cova rasa, afirmações vagas e com propósitos infindáveis, para algo tão mais grandioso e significativo; que fosse num olhar, dialogar, plantar, conceber, que fosse como base para um próspero edificar. A conseqüência é essa: você consegue concluir algo com profundidade, da qual antes você nem suspeitava que tinha. A evolução dessa integração concebida de você consigo mesmo, personificasse nas suas características. E solidificando se em atribuições ou hobys. Como por exemplo: pintar, desenhar, esculpir, lecionar, enfim desenvolver as suas integrações psicossociais, pessoais e interpessoais para uma convicção sólida e ciente das suas aptidões. Por isso que é sempre bom lembrar que as nossas indagações nada mais são do que a falta de conhecimento de si mesmo e conseqüentemente ao que reflete a nós mesmos. Esse olhar mais afundo para si abre as portas para o mundo que nos conectamos, interagimos, integramos.Pode até parecer clichê este assunto, mas o problema é que muitos ainda insistem em permanecer no escuro, no breu, no preto, na ausência de cor de vida pensante na ausência de si; ao invés de ver a luz, branco, que é a junção de todas as cores. Só quem permite-se olhar para si saberá o quão é essencial saber definir bem o estado psíquico em que se encontra; para que assim possas dar caminhos para a solução aconchegar-se e deleitasse em suas graças. E sabendo disso não mais passar por situações difíceis, sobrevivendo, e sim vivendo com satisfação e plenitude nos altos e baixos desta atmosfera alucinante que quer lecionar para nós mesmos colocando-nos como nossos próprios professores para lecionarmos como: ator, ator principal, coadjuvante, roteirista, diretor, telespectador. Tudo isso em apenas uma face: a da realidade equalizada em apenas uma raça: a humana e quanto as outras espécies, elas atuam reagindo de acordo com que refletimos do nosso intimo. Fazendo uma analogia: um cão e um lobisomem.Vivenciando essa experiência voluntariamente perceberás que os relatos de quem sobreviveu a tragédias e ficou próximo a morte ao dizer que viram uma luz, que essa experiência tinha um propósito muito mais alem do que simplesmente o fim; mas sim, a de ter a certeza que o branco é a junção de todas as cores e que a sua função para com esta descoberta pessoal, é a de separá-las e defini-lás em cada estágio e situação da sua vida. Para que no prelúdio junte-as novamente da onde tudo irá recomeçar. O luto é temporário mas o branco, a luz, está sempre presente, do inicio ao fim. O incomum do inicio e o fim é que sempre há um novo recomeço!
Flávio Roberto Sobral Delgado
Estética, estético estático: arco definido indefinido. Corpo, a pessoa: sua personalidade sem personalidade,oco; atitudes brandas camufladas pela esperteza de uma mente conturbada, desconfiada, compatível com quem realmente és. Isso é fato consumado. Argumento assim para que não sinta-se julgada arbitrariamente, pois é só aparente aquela suposta consciência ao mal que provocas a alguém quanto a algo que te assola. Por tua astúcia e desordem mental, conflitos surgirão por sua habilidade de não transparecer aquilo que o acomete ou por ser difícil de distinguir para segundos, conseqüentemente atrais-te multidões a agrupar-se para beira do abismo. Agora cheios de desconfiança e com poucos amigos e familiares que os repelirão de suas vidinhas perfeitas, eles vagam rumo ao suicídio coletivo, agora sem suas reabilitações temporárias, porém produtivas, e de suas identidades. Indigentes, estes agora são. Famílias alienadas, desinteressadas não os procuram e os deixam a própria sorte na amargura da estrada da morte psicossocial. Lembranças só as negativas, as reveladas não fazem mais parte de uma mente esquizofrênica.
Flávio Roberto Sobral Delgado
Se eu sou gay eu dou o direito para que me discriminem?
Se tu és lésbica ou trans, eu tenho direito de discriminá-la em teu prazer e identidade?
Se eles sofrem de transtornos mentais, porque fechar os olhos com discriminação?
Se tu é negro ou albino, eu tenho o direito de te discriminar?
Se ele é gordo ou magro dá o direito para que outros os discriminem?
Se nós somos CDFS ou não, damos direito para que segundos, terceiros nos discriminem?
Se vós não preenches as minhas expectativas eu tenho o direito de te discriminar?
Se eles tem AIDS, eles lhe dão o direito para que você os discrimine?
Se ela nasceu mulher, quem disse que deve ser violentada?
Se eu sou deficiente físico ou visual, eu não tenho o direito a acessibilidade?
Se ele tem opinião própria, você tem o direito de discriminá-lo?
Se vós não cuidais de si, eu tenho o direito de ti discriminar?
Se a sua resposta for não para todas as perguntas, então me responda: porque todos os dias você faz exatamente o que você supostamente diz não fazer? Pois digo-lhe que é exatamente por pessoas assim como você que as coisas ficam estagnadas, paradas, porque assim como você muitos estão no poder! E se eu discriminar eu dou o direito de ser discriminado, mas se eu não discriminar e for discriminado eu tenho direito e o dever de denunciar.
Flávio Roberto Sobral Delgado
Fonte da imagem:critiqueacritica.blogspot.com
João tem uma casa que é habitada por ratos
A casa que era de João agora é dos ratos
E o queijo que era dos ratos ficou para João, pois dava queijo para os roedores, que só se multiplicavam por meses
Em conseqüência de uma solidão desenfreada, João perdeu o controle da situação
Agora com o casarão completamente dominado por ratos, João começa a retornar a terra e se perceber
agora que está sem dinheiro e emprego não sabe o que fazer
todo dinheiro que tinha investiu na restauração do casarão
bendita mansão!
O que antes era visto como uma benevolência em João e até pelo próprio João, virou tormento e arrependimento
João culpa-se pela praga de ratos que se estabeleceu em sua querida e aconchegante mansão
- Matá-los ou não matá-los, eis a questão?
- Matando-os, primeiramente, matarei a mim, pois trairei a verdadeira interação de dias intermináveis de quando estava preso em mim, que eu mesmo estabeleci
-Eu os atraí para este lugar e propiciei favoravelmente a esta insana e incomum convivência, dei migalhas para ter companhia e aos poucos eles conquistaram o meu lar.
-Ao invés de expulsá-los, farei o mesmo que eles, tonarei o meu terreno psíquico mais propício
Para um recomeço com fortes alicerces sem roer a minha própria estrutura
Fazer acontecer, permanecer e me firmar por menor que eu seja, por mais julgado que tenha sido ou que eu venha a ser
Não me penitenciarei, não mais! Agora, eu só aprenderei.
Os exemplos podem vir de onde menos se espera.
Flávio Roberto Sobral Delgado
Por Mabel Dias
Falta menos de uma semana para começar a segunda edição do Festival de Contra Cultura Feminista, Vulva La Vida, que vai revolucionar a capital baiana, Salvador.
De 24 a 29 de janeiro, mulheres de diversas partes do planeta estarão juntas participando de shows, debates, rodas de diálogo, oficinas e tantas outras atividades. O Vulva La Vida é um festival totalmente autônomo, independente, faça você mesma, como foi dito desde a convocatória que deu início a ele em 2011, e este tem sido o seu grande diferencial. Desta forma, as organizadoras do Vulva mostram que não é preciso ficar esperando por projetos de governo, empresas ou de Ongs para poder produzir algo, seja lá o que for. E o Vulva La Vida, sem maiores pretensões, está conseguindo aos poucos seus objetivos: reunir mulheres, garotas, meninas para poder discutir sobre feminismo, política e contra cultura, mostrando que é possível produzirmos algo quando queremos e de forma autogestionada.
Da primeira edição do festival, surgiram muitas ideias, shows e até um documentário, que recebeu o título de ‘Vulva La Vida – Vida lá Vou eu’ (título que dá nome a este texto), muito bem produzido, com uma linda capa, desenhada pela anarcopunk Marina Chen, e com belos depoimentos das mulheres que fazem parte do Coletivo Vulva La Vida – formado a partir do primeiro festival, e tem servido de ótima divulgação para que este ano o número de participantes cresça avassaladoramente. Não é à toa que a maioria das oficinas, entre elas, ‘O Cabelo é feminista’, ‘A verdade crua do corpo nu’, e ‘Oficina de escrita feminista’ esgotaram suas inscrições em poucos dias depois de anunciada a programação.
O Vulva La Vida é uma ótima surpresa para aquelas mulheres que estavam em busca de algo que envolvesse temas como estes que estão sendo discutidos no festival, e principalmente, pudessem ter a liberdade de se expressar como quisessem. Autonomia é essencial! Sem falar nos shows e performances que acontecerão durante o festival, feito por mulheres, onde podemos ficar a vontade, entre nós. E não é apenas porque mulheres estão fazendo, mas sim porque existe na essência do Vulva La Vida a horizontalidade, a solidariedade, o feminismo, e as quebras das relações de consumo e da estética. Outros importantes diferenciais.
Participei da primeira edição do festival, que foi realizada em janeiro do ano passado, e agora me preparo para o segundo. Desta vez, vou realizar uma roda de diálogo sobre as mulheres anarquistas e as feministas autônomas. Além disto, vou poder (re) encontrar e conhecer amigas feministas de longa data; algumas que só me comunico via internet. Tenho certeza que este Vulva La Vida será mágica!
De fato, havia uma carência de ações assim no Brasil, e em especial no nordeste. Me lembro que quando foi lançada a convocatória para a realização da primeira edição do Vulva La Vida havia o desejo (e acredito que ainda há) de que esta proposta se disseminasse por outras partes do país e do mundo. Porque não?! Se o Vulva La Vida já chegou a outros países, nada mais esperado que esta idéia se realize por todos os cantos do globo.
É como diz o Coletivo Vulva La Vida: “mude o mundo, comece por você!” E a partir deste festival, nós mulheres vamos começar a mudar o mundo. E a nós mesmas!
Para saber mais sobre o Festival Feminista Vulva La Vida, acesse o blog: http://festivalvulvalavida.wordpress.com/programacao-2012/
Eu quero tragar o tragável instante momento, sem arrependimento, lamento
Mas se eu lamentar por um arrependimento,
Que não seja pelo ato ou por proferir e em conseqüência ferir intencionalmente.
Longe de mim desejar o mal
Ou por algo que eu deveria fazer e não fiz
Mas se assim for, que seja por uma apimentada a mais de um adjetivo ou ato inconcluso inconscientemente que eu não me atentei no momento
Se eu inconscientemente expressar o inexpressível que seja registrado de alguma forma para que eu possa expressar por mais vezes.
Agora, seu eu indagar o injusto, o indagável, quero ter sempre os pés no chão
Com visão de gavião, a memória de elefante e língua de V de Vingança
Transparência na minha aparência, intríseca, expandido-se de dentro para fora
E equalizando-se em atitudes com reconhecimento autônomo para que assim as incrédulas mentes não repudiem o fato de ainda existir boas pessoas nesta vida, tapando a própria visão por desilusões passadas. Para que não continuem a cavar suas próprias covas.
Flávio Roberto Sobral Delgado